terça-feira, 10 de janeiro de 2012

QUATRO PÉROLAS DE KABIR*


I
Não vás para o jardim florido!
Ó amigo! Não te voltes para lá;
É em ti que se encontra esse jardim.
Escolhe teu lugar entre as mil pétalas do lótus,
E contempla desse posto,
A Beleza Infinita.
II
DENTRO deste vaso de barro
Encontram-se os canteiros e os bosques,
E nele está o Criador.
Neste vaso estão os sete oceanos,
E um sem-número de estrelas.
A pedra filosofal e os que louvam suas virtudes
Estão em seu interior;
E neste vaso o Eterno soa, e a fonte mana...
Kabir diz: "Escuta, amigo!
Meu Bem-Amado Senhor está no interior."
III
O RIO e suas ondas são um mesmo fluxo:
Qual a diferença entre o rio e suas ondas?
Quando se crispa a onda, é a água que se eleva;
E quando a onda cai, é novamente e ainda água.
Diz-me, Senhor, a diferença:
Por ter sido denominada onda,
Não mais devemos considerá-la água?
No seio do Supremo Brahma,
Os mundos alinham-se como contas.
Contempla esse rosário com os olhos da sabedoria
IV
"A jóia afundou na lama,
E todos querem encontrá-la.
Alguns procuram-na a oriente,
Outros a ocidente;
Buscam uns na água,
Outros entre as pedras.
Porém, o servo Kabir avaliou-a
Em seu justo valor,
E envolveu-a com cuidado
Na bainha do manto de seu coração."
- Nota de Wagner Borges: Kabir (1440-1518) - foi um dos grandes poetas místicos ou santos-poetas da Índia medieval, tendo composto poemas que evidenciam a fusão entre os ensinamentos hindus e o sufismo muçulmano.

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